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Oficina Poética: A loucura das mulheres, a loucura da escrita

Com Nathália e Sara

inicio em 10/03

Nathália Ferreira: Nathália é escritora e psicóloga do Programa ECOS da USP. Possui
mestrado em Mudança Social e Participação Política pela EACH-USP, pesquisando a
presença da loucura nas cidades contemporâneas a partir de uma perspectiva poética e
antimanicolonial. Publicou o livro de poesia “Ninguém sai ileso do corpo”.
Sara Gomes: Sara é estudante de Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, poeta e
bolsista PUB do ECOS — programa de escuta, cuidado e orientação em saúde mental —
onde atua como escutadora e compõe o grupo de comunicação em saúde mental. Além
disso, escreve a partir de uma poesia marginal, defendendo e denunciando questões como
negritude, classe, gênero e sexualidade.
A loucura das mulheres é tema frequente na literatura, espelhando a forma como é
fonte de fascínio e horror ao longo da história, para além do fascínio e horror já gerados
pelos seus dois eixos separadamente: a loucura e o feminino, ambos atravessados
intimamente pela imposição social do confinamento. A loucura especificamente feminina
começa a ser discutida marcadamente a partir da conceituação da histeria, entendida, a
partir da psicanálise freudiana, como patologia feminina, inscrita no corpo e na carne, mais
especificamente no útero, diferente da loucura masculina para a qual a psiquiatria da época
buscava um correlato cerebral. O sintoma histérico denuncia a repressão da sexualidade
feminina e, ao mesmo tempo, como a loucura feminina como um todo, traça transgressões
e insubordinações frente à norma social que determina a repressão do desejo feminino, a
dominação e domesticação de seus corpos, os códigos e papéis sociais da função-mulher,
as violências patriarcais, a instituição do casamento e da maternidade e os confinamentos
que estas engendram, os trabalhos não pagos doméstico-afetivo-sexual, e a inferiorização
do feminino, atravessadas pelos marcadores de classe, raça e sexualidade.
Para pensarmos a escrita das mulheres, nesse contexto, é necessário demarcar
também a hegemonia histórica masculina e branca no campo da literatura, como se vê na
definição de quem seriam os autores celebrados como “cânones” ou “clássicos”. Ao longo
dos séculos, mulheres se esconderam por detrás de pseudônimos masculinos para poder
publicar suas obras; foram consideradas literatura menor, e deslegitimadas. A proposta da
oficina reafirma o papel transformador que o feminino e a loucura podem exercer frente às
hegemonias do campo literário, assim como o papel que a própria literatura pode exercer
frente às linhas de captura exercidas sobre o feminino e a loucura. Isto porque trazem
notícias da incompletude humana, de nossa falta de controle frente ao outro e aos desígnios
da vida, e da possibilidade rica que sobrevive ao encontro com a diferença quando esse
não se desfaz em violência, e sim se desdobra em curiosidade e abertura frente ao
imponderável e inominável em nós, no Outro e na existência. Nos convida ao contato com o
que é hegemonicamente rejeitado, com o território do incomensurável da existência e da
criação artística, e com a radicalidade da alteridade, desvelando verdades encobertas
socialmente; verdades que, como em Annie Ernaux (2023), “é simplesmente o nome que se
dá àquilo que se procura e que escapa constantemente”.
Através da leitura conjunta de trechos de autoras como Stella do Patrocínio, Gloria
Anzaldúa, Lubi Prates, Clarice Lispector, Hilda Hilst, Han Kang, Antonin Artaud, Ariana
Harwicz, Maura Lopes Cançado e poetas de slam, e através de exercícios de escrita e
escuta, exploraremos juntes o tema, investigando a loucura através da poesia, e
investigando a poesia através da loucura. Exercitaremos a escrita poética livre (em forma de
poesia ou prosa) e a coletivização e compartilhamento, a partir do desejo de cada
participante, das produções poéticas autorais, em um ambiente seguro de criação. Além
disso, experimentaremos a loucura feminina presente na literatura como mediadora para a
composição de um espaço de cuidado, encontro e criação artística coletivos.

3ª feira | 18h-19h30

PRESENCIAL
na sala 137 do bloco B | Faculdade de Educação USP

Inscrição prévia via e-mail

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